Um guia de sobrevivência para enfrentar a perimenopausa

  • 01/11/2026
(Foto: Reprodução)
Menopausa e perimenopausa: especialista explica a diferença e como lidar com os sintomas Acabo de ler Guia de sobrevivência da menopausa, da médica Heather Hirsch, fundadora da Clínica de Menopausa e Meia-Idade da faculdade de medicina de Harvard. É uma daquelas obras que conseguem trazer informação acessível sem abrir mão do rigor científico, com dicas valiosas sobre essa etapa da vida que está longe de receber a devida atenção. A própria autora diz que decidiu se especializar em transições hormonais femininas quando percebeu que, na faculdade, a educação sobre a saúde da mulher basicamente terminava com a gravidez e o parto. “Não é que a perimenopausa e a menopausa fossem negligenciadas – simplesmente estavam ausentes dos cursos de medicina”, afirma, explicando que escreveu o livro porque, mesmo sendo especialista no assunto, não percebeu que estava na perimenopausa, com muitos dos sintomas que via em suas pacientes. A médica Heather Hirsch, autora do livro Guia de sobrevivência da menopausa: “Hoje vivemos 30% das nossas vidas na pós-menopausa” Divulgação Imagine: uma em cada oito mulheres desenvolverá câncer de mama, e os protocolos de saúde determinam uma mamografia anual para a detecção precoce. Curiosamente, embora a menopausa vá impactar a vida de 100% das que viverem o suficiente, pouquíssimos médicos levantarão a hipótese de perimenopausa quando pacientes, na faixa dos 30 ou 40 anos, discorrerem sobre os sintomas que estão sentindo. “Enquanto a menopausa tem um critério diagnóstico claro – um ano sem menstruação –, a perimenopausa é muito mais difícil de definir, porque um exame de sangue capta os níveis hormonais de um dia, quando eles estão mudando de uma semana para a outra. O resultado? As mulheres ouvem que seus níveis sanguíneos estão normais, o que só faz com que elas passem a duvidar de sua própria percepção. Isso atrasa o tratamento”, enfatiza. À medida que passamos pela transição menopáusica, os próprios alicerces da nossa saúde de longo prazo podem se tornar mais vulneráveis. A queda nos níveis de hormônios reprodutivos tem desdobramentos relevantes que afetam os sistemas gastrointestinal, musculoesquelético e cardiovascular, o assoalho pélvico, a saúde mental e até o cérebro. “Hoje vivemos 30% das nossas vidas na pós-menopausa. Como lidamos com as mudanças hormonais determinará a trajetória de nossa saúde nas décadas seguintes”, ensina Hirsch. No capítulo 2, a autora enumera vários mitos que envolvem a perimenopausa: Não sou muito jovem para estar sentindo sintomas? Se ainda menstruo, não posso estar na menopausa. Tomar um antidepressivo aliviará os sintomas. Dormir mal, estar esquecida e ter pouca energia significa que não estou cuidando bem de mim mesma. A terapia de reposição hormonal é insegura. Na sua opinião, esse último é o mito mais falso de todos. Tanto que detalha a origem do medo da reposição – assunto que já abordei algumas vezes, mas que sempre vale a pena repetir. Um estudo que apresentava diversas falhas concluiu, em 2002, que a reposição acarretava um aumento de 26% no risco de câncer de mama, levando mulheres e médicos a jogarem suas prescrições no lixo. “Lidamos com as consequências até hoje”, reconhece Hirsch, que fala sobre suas contraindicações, como câncer de mama ativo ou recente, trombose espontânea, ataque cardíaco também recente ou doença hepática em estágio terminal (cirrose). No entanto, garante que mesmo um histórico pessoal ou familiar de câncer de mama não é mais considerado um impedimento intransponível. No capítulo 3, ela propõe que a leitora identifique seu conjunto de sintomas da perimenopausa. A lista tem 34 itens, de acne a confusão mental, de mau cheiro corporal (resultado do aumento da testosterona em relação ao estrogênio) a sensações de choque elétrico, passando por fadiga, falta de libido, alterações de paladar, ondas de calor, suores noturnos, distúrbios de sono e ganho de peso. Devo confessar que, apesar de escrever com frequência sobre menopausa, ignorava que o zumbido fizesse parte do rol. Há receptores de estrogênio no ouvido interno e, quando os níveis do hormônio começam a cair, você pode sentir coceira, zumbido ou ruído nos ouvidos (acufeno) e vertigem. Há também os inimigos silenciosos: Aumento dos níveis de colesterol Alterações metabólicas e de peso (causadas pelos níveis de açúcar no sangue e insulina) Perda de densidade óssea e massa muscular Pressão arterial elevada Perda de integridade dos tecidos vaginais e urinários Sobre o sexo, a especialista lembra que a saúde sexual abrange bem mais do que hormônios e fisiologia. O ambiente, as circunstâncias de vida e os relacionamentos desempenham um papel fundamental. “Se você está cuidando de um parente idoso ou doente, se está preocupada com a saúde mental do seu filho, se tem problemas financeiros – ou qualquer combinação desses fatores –, tudo pode ter impacto em sua vida sexual e libido”, contextualiza. Além disso, por volta dos 40 anos, a mulher pode estar com o mesmo parceiro há muitos anos. A novidade inevitavelmente se desgasta, o que tende a diminuir o desejo, sem contar que a maratona de criar os filhos afeta a libido. “No momento, minha casa parece o lugar menos sexy possível, com brinquedos em cima da cama, mochilas e sapatos por toda parte”, compartilha a médica, que aconselha experimentar a autoestimulação, usar lubrificante, cuidar do assoalho pélvico e utilizar estrogênio vaginal tópico. Em sua clínica, ela adota o Índice de Função Sexual Feminina (Female Sexual Function Index), um questionário de autoavaliação desenvolvido para mensurar a função sexual de mulheres nas últimas quatro semanas e que percorre seis áreas da função sexual: desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor/desconforto.

FONTE: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2026/11/01/um-guia-de-sobrevivencia-para-enfrentar-a-perimenopausa.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes