Maior mostra de arte contemporânea do mundo, Bienal de Veneza começa sob tensão geopolítica

  • 09/05/2026
(Foto: Reprodução)
Abre ao público na Itália a 61ª edição da maior exibição de arte contemporânea do mundo Abriu ao público neste sábado (9), na Itália, mais uma edição da maior exibição de arte contemporânea do planeta. A Bienal de Veneza expõe até novembro obras de 110 artistas sobre memória, sobrevivência e reconstrução. A correspondente Ilze Scamparini acompanhou a pré-estreia do evento, marcada por protestos. Havia algo no ar de Veneza, além das gôndolas nos canais. Jatos de um pó rosa-choque que avisavam que algo diferente estava acontecendo. Rostos cobertos e seios à mostra ocuparam o pavilhão da Rússia nos quatro dias de pré-estreia, com palavras de ordem contra Vladimir Putin. Inicialmente, a geopolítica atraiu mais atenção do que as instalações da maior feira de arte contemporânea do mundo. Exclusa da Bienal desde a invasão da Ucrânia, a volta da Rússia provocou grande descontentamento. Todos os jurados pediram demissão, inconformados com a participação russa e também de Israel. Cada país é dono do seu pavilhão, e as escolhas passam pela apreciação dos governos. No pavilhão israelense, policiamento constante e uma obra de tubos que gotejam num tanque de águas escuras. A Rússia trouxe o que chamou de árvore radicada no céu, resultado de um trabalho coletivo. Esta Bienal é, sim, uma resposta às guerras. Mais do que isso, é uma proposta de cura e resistência, que defende que, diante de um mundo em conflito, o papel da arte é o de se tornar um refúgio que protege a imaginação e reconstrói a memória. É nesse sentido de resgate da memória que um dos pavilhões está sendo muito esperado, o brasileiro. Na arquitetura modernista brasileira do fim dos anos 1950, dois grandes nomes: Adriana Varejão e Rosana Paulino. A curadora, Diane Lima, pensou em temas que vão do colonialismo ao sofrimento das mulheres negras. “Eu acho que esse pavilhão só é possível porque a gente vive num país democrático”. Rosana e Adriana optaram por um trabalho que parecesse único. “Então, geralmente, essa viga central que corta o pavilhão servia como espaço de separação. Primeira coisa que me veio à cabeça no projeto foi tomar partido dessa viga como um elemento, quase como uma coluna dorsal, um elemento de união", diz Adriana. No alto, Adriana Varejão expõe as suas pinturas inspiradas nos azulejos portugueses dentro de uma perspectiva de revisão histórica. Rosana Paulino mostra um trabalho político, que questiona presente e passado. “Para a gente entender o que acontece hoje, nós temos que voltar lá atrás, no período da escravidão. Isso é uma questão política, é uma questão de olhar hoje e entender quais são essas marcas que a escravidão deixou no Brasil e quais são as políticas, quais são as ações necessárias para que a população negra avance". Outros brasileiros expõem nas escuderias do Arsenal: Ayrson Heráclito, Dan Lie e Eustáquio Neves. Entre os pavilhões mais visitados, o do Líbano, que mostra uma trajetória quase filosófica de um fugitivo da guerra nos anos de 1970. O da França, com uma saudação a planetas como Saturno, e o do Japão, que propõe a arte do cuidado com o outro. Música, poesia e cinema estão na obra da americana Cauleen Smith, numa instalação que mistura vídeo, som e aromas. Beleza e dor nas esculturas do americano Nick Cave, que unem objetos domésticos, bordados e grandes bronzes. Na peça central, o luto se transforma em arte. O queniano Kaloki Nyamai constrói suas telas como memórias costuradas, inspirado pelas histórias da avó e pelo ofício da mãe, de costureira. Em tons menores — o tema desta Bienal —, defende uma mostra mais mais voltada à experiência humana. É um convite ao encantamento em meio ao clima de confronto. Um acúmulo de sensações que tentam criar pausas num mundo dominado pela violência. Maior mostra de arte contemporânea do mundo, Bienal de Veneza começa sob tensão geopolítica Jornal Nacional GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Trabalho eleva renda do brasileiro e rendimento bate recorde de R$ 3.367 em 2025

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/05/09/maior-mostra-de-arte-contemporanea-do-mundo-bienal-de-veneza-comeca-sob-tensao-geopolitica.ghtml


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