Jovem tentou fugir e caiu do 14º andar no Paraná porque soube que seria agredido novamente no dia seguinte, diz MP

  • 19/09/2026
(Foto: Reprodução)
Quatro presos por morte de jovem em Londrina são soltos após 24 dias ( Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, tentou fugir do quarto em que estava porque soube que poderia voltar a sofrer agressões, de acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR). Na tentativa de escapar, ele tentou acessar o apartamento localizado no andar abaixo, mas caiu da janela do 14º andar e morreu. O caso aconteceu em Londrina, no Norte do Paraná, em 14 de agosto. Segundo a Polícia Civil (PC-PR), Alexandre foi agredido, dopado e torturado por colegas da namorada dele antes da queda. A investigação aponta que as agressões ocorreram por causa da suspeita de que ele teria furtado uma câmera fotográfica. O equipamento, porém, não foi encontrado. Quatro homens, com idades entre 22 e 24 anos, foram presos por tortura, com agravante de cárcere privado e resultado morte. Depois, a Justiça determinou que podem responder em liberdade — três deles usando tornozeleira eletrônica. Segundo o delegado Roberto Fernandes, a vítima recebeu agressões físicas e psicológicas por aproximadamente três horas. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp "[A vítima] estava amarrada, mas conseguiu se desvencilhar das amarras com o uso de um objeto cortante e cortar parte das telas [...] Segundo consta nas investigações, também havia ameaças de que ela seria levada para outro local para receber um 'corretivo'", explicou a promotora", explicou a promotora Márcia Regina dos Anjos. O MP ofereceu denúncia aos quatro por tortura qualificada seguida de morte, cárcere privado e fraude processual. Além disso, o órgão pediu que os denunciados paguem uma indenização de R$ 40 mil aos familiares da vítima. Conforme a promotora, ainda é esperada a conclusão do laudo pericial para saber o estado de saúde de Alexandre antes da queda. A promotora aponta que a vítima foi submetida a medicamentos, que a deixaram em estado alterado. Em nota, a defesa dos investigados informou que "denúncia oferecida pelo Ministério Público apresenta inconsistências e excesso de acusação". Confira a nota completa abaixo. Laudo apontou queda involuntária Segundo o delegado, Alexandre Rodrigues Ramos caiu do 14º andar enquanto ele fugia dos agressores e tentava acessar o apartamento abaixo do que ele estava, pela sacada. No início das investigações, havia a dúvida se os agressores também haviam jogado Alexandre do prédio, tese que acabou refutada pelo laudo. "Foi uma queda involuntária. O laudo descartou que o corpo foi jogado, em razão também de um testemunho do morador do apartamento logo abaixo de onde ocorreram os fatos. A vítima tentou acessar a sacada do apartamento de baixo, mas não conseguiu, porque, além de ter o vidro fechado, tinha a rede [de proteção]. A rede ele conseguiu romper uma parte dela com os pés. Essa testemunha fala que só o viu tentando acessar ali com os pés e depois despencar. O laudo comprovou essa dinâmica", detalhou Fernandes. Após a queda, conforme a denúncia do MP, os suspeitos modificaram o local do crime para simular um suicídio. Os objetos de agressões foram escondidos, fotos que eles fizeram com a vítima presa foram apagadas e documentos de Alexandre foram jogados no lixo. Como foi o crime, segundo a investigação Vítima caiu de janela de alojamento em Londrina. Reprodução Seis pessoas moravam no apartamento: a namorada da vítima, os quatro suspeitos e um homem que denunciou o caso após a chegada da polícia. Alexandre estava visitando a namorada e, por volta das 22h30 de 13 de agosto, foi confrontado, com uma faca, pelos quatro suspeitos, que acreditavam que ele tinha furtado uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil. Em seguida, conforme o delegado Miguel Chibani, Alexandre foi trancado em um dos cômodos do apartamento, teve os pés e mãos amarrados com um cabo de extensão e passou a ser agredido. Segundo Chibani, os suspeitos forçaram Alexandre a ingerir dois comprimidos de uma medicação que causa irresponsividade. "Ele foi agredido mediante chute, soco, tapa no rosto, foi ameaçado de morte, houve o relato de que um deles dizia que eles iam retalhar o corpo... Ele acabou falando a respeito do furto e admitiu. A vítima do furto, que no caso é coautora dessa tortura, acabou ainda na madrugada se deslocando e conseguiu conversar com o comprador da câmera, que já tinha se desfeito dela em troca de um celular e de uma quantia em dinheiro", detalha Chibani. Conforme o delegado, foram cerca de quatro horas de sucessivos ataques contra a vítima. Um dos suspeitos pediu uma pizza depois que Alexandre foi agredido. Inicialmente, a ocorrência chegou à polícia como um caso de suicídio. Porém, no local, os agentes notaram que a chave que trancava o cômodo do qual a vítima teria caído estava para o lado de fora da porta. Durante as investigações iniciais, testemunhas relataram à corporação a situação de tortura, encarceramento e agressões. Testemunhas e suspeitos foram levados à delegacia e, conforme Chibani, dois deles confessaram os delitos. À polícia, a namorada de Alexandre afirmou que viu o que estava acontecendo e tentou entrar no cômodo em que a vítima estava presa. Porém, disse ter sido ameaçada por um dos suspeitos. Nota da defesa dos suspeitos "A defesa dos denunciados, representada pelos advogados Arthur Travaglia e Claudia Piccin, informa que a denúncia oferecida pelo Ministério Público apresenta inconsistências e excesso de acusação. Esclarece que todos os fatos serão devidamente esclarecidos durante a instrução processual.". VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Norte e Noroeste.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/09/19/jovem-tentou-fugir-e-caiu-do-14o-andar-no-parana-porque-soube-que-seria-agredido-novamente-no-dia-seguinte-diz-mp.ghtml


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